Lágrimas ocultas
Tecem caminhos, descem pela minha face em grupo para me morrerem nos cantos da boca, bailam ao som dos soluços e dos gritos silenciosos da minha alma.
Dançam baixinho para que ninguém ouça os seus movimentos, de vez enquando ainda se deixam pausar nos cantos dos olhos, ficam ali alguns minutos para depois cairem rapidamente rosto abaixo e já nem os soluços lhes servem de ritmo, nessa hora só querem cair com o corpo que fraco se estende neste chão de medos.
Dançam ao bater acelerado do coração, mesmo ao anestesiante bombar do sangue nas veias, são fruto de muitas danças interiores, bailes inteiros de sentimentos que se misturam e co-habitam fraternos.
As vezes a mão não as deixa dançar à vontade e tem necessidade de as limpar antes que cheguem aos cantos da minha boca, faz parte da dor, faz parte do sofrimento ter esta mão no rosto a limpar as lágrimas, um gesto prodigioso.
Ver depois as lágrimas secarem aos poucos na mão que as esmagou, ver depois o sol secar as lágrimas que não acompanharam a dança até ao fim e ainda me ficaram na face.
Dança das lágrimas, pausada, celestial, angelical...
( Florbela Espanca)
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Publicada por Maguie Barreira à(s) 12:50
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Estou atravessando o deserto.
A sede é grande.
O desejo de chegar a terra
que mana leite e mel é a cada
dia mais intenso.
O maná ainda cai pela manhã.
A boca também continua seca.
Mas minha a sede maior é de
liberdade e sombra.
Um desejo enorme de mergulhar
Em águas profundas e correntes.
Perdão meus amigos por não
conseguir construir um oásis
assim fazem os heróis. Mas
estou longe de sê-lo.
Estar neste deserto me tem
deixado um pouco amargo.
Deve ter sido por causa da
Última água que tive beber.
O tempo vai passando e
minha pele ressequida
está cheia de feridas.
E minhas lágrimas salgadas
já não caem mais.
A cada dia espero vislumbrar
os campos verdejantes.
Não sei como ainda posso
Ter tanta esperança?
Estou atravessando o deserto.
O que mais posso fazer?
Digo a minha alma: Calma,
não pare. Falta pouco.
Espero poder chegar ao fim
desta jornada com condições
para tomar do leite e saborear
do mel. Mas não quero me
esquecer do deserto que passei.
Pois por causa dele é que o leite
será mais bem vindo e o mel
ainda mais saboreado
WVB
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Publicada por Maguie Barreira à(s) 22:05
segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Se um dia tu me perderes,
me procura na flor mais
vermelha e viva.
Me procura no silêncio,
na noite,
na brisa que sopra fria
no sereno quente do teu corpo.
Me procura no canto da gaivota,
nas estrelas, no mar.
Certamente serei a onda
mais fulminante que encontrares.
Me procura em uma lágrima,
em uma música,
em um sonho, quem sabe!
Me procura onde for lindo.
Mas, se por acaso não me
encontrares,
procura-me no fundo do teu
coração.
Certamente estarei lá.
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Publicada por Maguie Barreira à(s) 23:54

Saborear a vida a cada segundo
Talvez eu deva me permitir viver mais
Porém, sinto que o ar me cansa
E o único prazer que realmente sinto
É o vento passando por meu corpo
Mostrando cada extensão de meu ser
E levando um pouco de mim
A lugares que sei, jamais irei conhecer."
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Publicada por Maguie Barreira à(s) 23:00

Acumulam-se as ausências e as faltas a um canto... pena de mim por ser assim ou estar assim ou então pena por me deixar ficar assim. Porquê?
Acumulo caminhos que não sigo e perco-me toda em ir e vir por estes bosques de mim que não sei de cor, cravo o peito de dores e sofrimentos e depois curvo-me e enrolo-me em mim só para me sentir uma vez que seja, sentir-me um pedaço viva mesmo que a vida não faça mais sentido.
Bater-me na pele e sentir-me gelada, morta. Bater-me e espancar-me e morrer abraçada ao nada que me resta.
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Publicada por Maguie Barreira à(s) 00:18